Enquanto os portugueses iam gritar para a rua e o mundo se preparava para mais uma guerra, alguém andava a divertir-se aos saltos bem altos ;)
Dobrar - Pôr dobrado. Fazer curvar, vergar ou torcer. Voltar. Passar além de. Passar por (para tomar outra direcção). Duplicar. Tornar mais forte, mais intenso, mais activo. Demover, modificar. Induzir. Fazer ceder, obrigar, coagir. Gorjear, cantar. Executar uma dobragem. Conseguir uma volta de avanço sobre alguém. Substituir um actor. Tocar (o sino) a finados. Duplicar-se;Ceder. Dar a volta. Multiplicar-se.
domingo, 20 de março de 2011
sábado, 19 de março de 2011
Grande Torga, abraços
Querido leitor:
Escrevo-te da Montanha, do sítio onde medram as raízes deste livro. [..] Encontrei tudo como deixei o ano passado, quando da primeira edição destas aventuras. Apenas vi mais fome, mais ignorância e mais desespero. Corre por estes montes um vento desolador de miséria que não deixa florir as urzes nem pastar os rebanhos. O social juntou-se ao natural, e a lei anda de mãos dadas com o suão a acabar de secar os olhos e as fontes. Crestados e encarquilhados, os rostos dos velhos parecem pergaminhos milenários onde uma pena cruel traçou fundas e trágicas legendas. Na cara lisa dos novos pouca mais esperança há. Ora eu sou escritor, como sabes. Poeta, prosador, é na letra redonda que têm descanso as minhas angústias. Mas nem tudo se imprime. Ao lado do soneto ou do romance que a máquina estampa, fica na alma do artista a sua condição de homem gregário. E foi por isso que fiz aqui uma promessa que te transmito: que estava certo de que tu, habitante dos nateiros da planície, terias em breve compreensão e amor pela sorte áspera destes teus irmãos. Que um dia virias ao encontro da aridez e da tristeza contidas nas suas fragas, não como leitor do pitoresco ou do estranho, mas como sensível criatura tocada pela magia da arte e chamada pelos imperativos da vida. Prometi isso porque me senti humilhado com tanto surro e com tanta lazeira, e envergonhado de representar o ingrato papel de cronista de um mundo que nem me pode ler. Tomei compromisso em teu nome, o que quer dizer em nome da própria consciência colectiva. Na tua ideia, o que escrevo, como por exemplo estas histórias, é para te regalar e, se possivel for, comover. Mas quero que saibas que ousei partir desse regalo e dessa comoção para te responsabilizar na salvação da casa que, por arder, te deslumbra os sentidos.
Miguel Torga, São Martinho da Anta, Setembro de 1945, Prefácio aos Novos Contos da Montanha
segunda-feira, 7 de março de 2011
Barbara
Aqui em Montréal está um dia maravilhoso, um pouco cinzento mas não chove, e isso é o suficiente para que o dia seja maravilhoso.
Por isso queria partilhar convosco um pequeno poema triste:
Barbara
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là
Et tu marchais souriante
Épanouie ravie ruisselante
Sous la pluie
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest
Et je t'ai croisée rue de Siam
Tu souriais
Et moi je souriais de même
Rappelle-toi Barbara
Toi que je ne connaissais pas
Toi qui ne me connaissais pas
Rappelle-toi
Rappelle-toi quand même ce jour-là
N'oublie pas
Un homme sous un porche s'abritait
Et il a crié ton nom
Barbara
Et tu as couru vers lui sous la pluie
Ruisselante ravie épanouie
Et tu t'es jetée dans ses bras
Rappelle-toi cela Barbara
Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu à tous ceux que j'aime
Même si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu à tous ceux qui s'aiment
Même si je ne les connais pas
Rappelle-toi Barbara
N'oublie pas
Cette pluie sage et heureuse
Sur ton visage heureux
Sur cette ville heureuse
Cette pluie sur la mer
Sur l'arsenal
Sur le bateau d'Ouessant
Oh Barbara
Quelle connerie la guerre
Qu'es-tu devenue maintenant
Sous cette pluie de fer
De feu d'acier de sang
Et celui qui te serrait dans ses bras
Amoureusement
Est-il mort disparu ou bien encore vivant
Oh Barbara
Il pleut sans cesse sur Brest
Comme il pleuvait avant
Mais ce n'est plus pareil et tout est abimé
C'est une pluie de deuil terrible et désolée
Ce n'est même plus l'orage
De fer d'acier de sang
Tout simplement des nuages
Qui crèvent comme des chiens
Des chiens qui disparaissent
Au fil de l'eau sur Brest
Et vont pourrir au loin
Au loin très loin de Brest
Dont il ne reste rien.
do grande meu homónimo Jacques Prévert
Lamento o facto de estar em francês, mas não sou capaz de o traduzir.
Por isso queria partilhar convosco um pequeno poema triste:
Barbara
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là
Et tu marchais souriante
Épanouie ravie ruisselante
Sous la pluie
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest
Et je t'ai croisée rue de Siam
Tu souriais
Et moi je souriais de même
Rappelle-toi Barbara
Toi que je ne connaissais pas
Toi qui ne me connaissais pas
Rappelle-toi
Rappelle-toi quand même ce jour-là
N'oublie pas
Un homme sous un porche s'abritait
Et il a crié ton nom
Barbara
Et tu as couru vers lui sous la pluie
Ruisselante ravie épanouie
Et tu t'es jetée dans ses bras
Rappelle-toi cela Barbara
Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu à tous ceux que j'aime
Même si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu à tous ceux qui s'aiment
Même si je ne les connais pas
Rappelle-toi Barbara
N'oublie pas
Cette pluie sage et heureuse
Sur ton visage heureux
Sur cette ville heureuse
Cette pluie sur la mer
Sur l'arsenal
Sur le bateau d'Ouessant
Oh Barbara
Quelle connerie la guerre
Qu'es-tu devenue maintenant
Sous cette pluie de fer
De feu d'acier de sang
Et celui qui te serrait dans ses bras
Amoureusement
Est-il mort disparu ou bien encore vivant
Oh Barbara
Il pleut sans cesse sur Brest
Comme il pleuvait avant
Mais ce n'est plus pareil et tout est abimé
C'est une pluie de deuil terrible et désolée
Ce n'est même plus l'orage
De fer d'acier de sang
Tout simplement des nuages
Qui crèvent comme des chiens
Des chiens qui disparaissent
Au fil de l'eau sur Brest
Et vont pourrir au loin
Au loin très loin de Brest
Dont il ne reste rien.
do grande meu homónimo Jacques Prévert
Lamento o facto de estar em francês, mas não sou capaz de o traduzir.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Lucidez
Este fim de semana não vou votar. Está decidido.
Não, não é que não me importe com a minha pátria, importo-me. Não, não é em protesto com a política, a política somos nós. Não, não é que prefira ir passear, estarei em Montreal. Não, não é que não haja mesas de voto aqui, elas existem.
Não, não é que eu não tenha ido ao consulado com antecedência. Fui há uns meses atrás, e disse que lá estava para poder votar mais tarde. Eles pegaram-me no meu Cartão de Cidadão e deram-me papéis a assinar, "pode ir para casa, enviar-lhe-emos notícias sobre as eleições alguns dias antes".
As eleições chegaram e telefonei-lhes, estou inscrito no consulado mas não recensiado aqui.
Baixo os braços num suspiro inconsolado!
Não, não é que não me importe com a minha pátria, importo-me. Não, não é em protesto com a política, a política somos nós. Não, não é que prefira ir passear, estarei em Montreal. Não, não é que não haja mesas de voto aqui, elas existem.
Não, não é que eu não tenha ido ao consulado com antecedência. Fui há uns meses atrás, e disse que lá estava para poder votar mais tarde. Eles pegaram-me no meu Cartão de Cidadão e deram-me papéis a assinar, "pode ir para casa, enviar-lhe-emos notícias sobre as eleições alguns dias antes".
As eleições chegaram e telefonei-lhes, estou inscrito no consulado mas não recensiado aqui.
Baixo os braços num suspiro inconsolado!
1974
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Rotina matinal
Hoje quando saí de casa, o céu estava azul, a paisagem branca e o termómetro marcava uns agradáveis -22ºC...
Há um prazer indisfarçável em chegar aos extremos. Deve ser um pouco do que os montanhistas sentem, "hoje subi até aos X metros".
Abraços calorosos
Há um prazer indisfarçável em chegar aos extremos. Deve ser um pouco do que os montanhistas sentem, "hoje subi até aos X metros".
Abraços calorosos
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Mini-Conferência
Dia 29, decorreu no Porto a tão esperada mini-conferência.
Muita gente apareceu, houve 14 palestras, dentro das quais a minha e a do Ricardo. Infelizmente o Hugo Silva e o Nuno de Sousa não puderam vir. Foi um gozo enorme estar na preparação deste evento. E no meu entender o saldo foi bastante positivo, falamos de nós, discutimos como gente grande e convivemos.
Que acharam de toda a iniciativa?
Porém uma coisa falhou, o Departamento de Física tinha pedido alguns testemunhos em troca e estes não foram feitos... até agora. Mas temos alguns contactos promissores.
As fotos já podem ser consultadas, vejam no site da coinferência - aqui.
Muita gente apareceu, houve 14 palestras, dentro das quais a minha e a do Ricardo. Infelizmente o Hugo Silva e o Nuno de Sousa não puderam vir. Foi um gozo enorme estar na preparação deste evento. E no meu entender o saldo foi bastante positivo, falamos de nós, discutimos como gente grande e convivemos.
Que acharam de toda a iniciativa?
Porém uma coisa falhou, o Departamento de Física tinha pedido alguns testemunhos em troca e estes não foram feitos... até agora. Mas temos alguns contactos promissores.
As fotos já podem ser consultadas, vejam no site da coinferência - aqui.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
2,5 km em ritmo lento para iniciar o ano no Palácio de Cristal :)
Activity: RunGoogle Maps URL: http://maps.google.com/?q=http://share.abvio.com/c3c4/200a/4d1e/f23a/Runmeter-Run-20110103-1710.kml
Started: 2011/01/03 17:10:15
Run Time: 14:20
Distance: 2,52 km
Average: 5:41 /km
Fastest Pace: 4:41 /km
Climb: 10 meters
KCalories: 178
Official Route: Yeshttp://www.runmeter.com/
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Desejos para 2011
Em breve trarei notícias do Natal, ou não... Mas, uma vez viciada e super entusiasmada, gostava de vos partilhar um pequeno desejo para o próximo ano e já com data marcada!
Dia 15 de Janeiro, na casa da música, por apenas 10€, Noiserv... Quem vem?
Dia 15 de Janeiro, na casa da música, por apenas 10€, Noiserv... Quem vem?
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Continuar a dobrar o mundo em 2011
O Mundo Dobrado foi retocado, e espero que 2011 traga mais vontade em darmos conta uns dos outro via web. Painel de postadores reforçado, imagens actualizadas e espero eu, um poema de torga que continua a fazer todo o sentido....
Abraços e beijos!
PS - Todos vamos invadir a faculdade, certo, portanto, até quarta :)
http://www.crm.umontreal.ca/~fonsecat/miniconf.html
Abraços e beijos!
PS - Todos vamos invadir a faculdade, certo, portanto, até quarta :)
http://www.crm.umontreal.ca/~fonsecat/miniconf.html
terça-feira, 30 de novembro de 2010
A um futuro mais próximo!
Porque certas e determinadas pessoas têm o telemóvel desligado ou mudaram de número sem dar qualquer satisfação, fica aqui esta mensagem cheia de saudades e com muito carinho, mas contudo insatisfeita por falta de um contacto sensorial.
A ti, Dinis, ao teu dia, uma enorme bolha de nostalgia!
E aqui te deixo um jantar impecável com a promessa de que quando cá estiveres preparas um para mim ;).
Parabéns!
A ti, Dinis, ao teu dia, uma enorme bolha de nostalgia!
E aqui te deixo um jantar impecável com a promessa de que quando cá estiveres preparas um para mim ;).
Parabéns!
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Utopia
"Ella está en el horizonte -dice Fernando Birri-. Me acerco dos pasos, ella se aleja dos pasos. Camino diez pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. Por mucho que yo camine, nunca la alcanzaré. ¿Para que sirve la utopía? Para eso sirve: para caminar."
Em Las Palabras Andantes do uruguaio Eduardo Galeano
Em Las Palabras Andantes do uruguaio Eduardo Galeano
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Defesa
Tenho a certeza que já ninguém lê este blog, mas cá vai:
Esta sexta-feira, 24 de Setembro, por volta das 14h30 dou por findos os meus trabalhos de doutoramento. Quem quiser aparecer, haverá vinho do porto e acepipes. Durante uma hora falarei sobre a minha tese na biblioteca do meu laboratório (LPTHE - 4 place Jussieu, Paris).
Vai um copinho?
Quase-doutor Tiago
PS: as partes em negrito enviam-vos para sítios mágicos (vulgo links).
Esta sexta-feira, 24 de Setembro, por volta das 14h30 dou por findos os meus trabalhos de doutoramento. Quem quiser aparecer, haverá vinho do porto e acepipes. Durante uma hora falarei sobre a minha tese na biblioteca do meu laboratório (LPTHE - 4 place Jussieu, Paris).
Vai um copinho?
Quase-doutor Tiago
PS: as partes em negrito enviam-vos para sítios mágicos (vulgo links).
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Angústias
São 2h40 da madrugada e a poesia urge...
No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta
Cecília Meireles ao som de Sérgio Godinho
No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta
Cecília Meireles ao som de Sérgio Godinho
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Citação
"Dans les pays riches, être pauvre nuit gravement à la santé."
Retirado dum artigo do Mundo Diplomático. Artigo esse onde se dicuste os sistemas de saúde mundiais e em especial a diferença de tratamento em países ditos desenvolvidos dependendo da classe social.
Tradução: "Nos países ricos, ser pobre prejudica gravemente a saúde."
Retirado dum artigo do Mundo Diplomático. Artigo esse onde se dicuste os sistemas de saúde mundiais e em especial a diferença de tratamento em países ditos desenvolvidos dependendo da classe social.
Tradução: "Nos países ricos, ser pobre prejudica gravemente a saúde."
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)

